Elenco:
Bobby de Carlo - Eduardo Araújo - Martinha - Jerry Adriani - Wanderléa -
Trio esperança - Lilian - Deny e Dino
Erasmo Carlos - Os Vips - Renato e seus Blue Caps - Leno - Vanusa -
Carlos Gonzaga - Tony Campello
Caetano Veloso - The Jet Blacks - Ronnie Von - Sérgio Reis - Wanderley
Cardoso - Os incríveis - The Fevers
Silvinha - Dori Edson - Marcos Roberto - Waldirene
Infelizmente o "rei" Roberto Carlos, não participou deste evento, que
reuniu todos os artistas da Jovem Guarda comemorando os 30 anos da
música jovem brasileira. É uma pena, pois para nós fãs, é lamentável que
a imposição das gravadoras responsáveis pela divulgação do trabalho
destes artistas, faça com que ao invés de promoverem o encontro, tão
importante, como neste caso foi, acabem sendo responsáveis pela
separação dos mesmos. As canções que deveriam ser interpretadas pelo
"rei", foram distribuidas entre o elenco, para que não faltassem na
gravação final. Tanto que a mais conhecida delas, "Quero que tudo vá pro
inferno", foi cantada por todo o elenco.
Que vergonha, hein ?






Biografia
"O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está
ultrapassada." Descontextualizada pelo publicitário Carlito Maia, a
frase do líder soviético Vladimir Lênin batizou no Brasil, em 1965 um
dos programas de TV de maior audiência da época: o Jovem Guarda,
apresentado pelos emergentes cantores e ídolos juvenis Roberto Carlos (O
Rei), Erasmo Carlos (O Tremendão) e Wanderléa (A Ternurinha). No auge da
sua popularidade, ele chegou a alcançar três milhões de espectadores só
em São Paulo, de onde era transmitido (em videotape, ele chegava também
ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife). Mais do que
uma boa idéia para preencher o horário que ficou vago por causa da
proibição da transmissão direta dos jogos do campeonato paulista de
futebol, mais do que uma excelente forma de derrotar o Festival da
Juventude (líder de audiência da TV Excelsior desde 1964) e de vender um
monte de quinquilharias (de discos a calças, blusas e até bonecas), o
programa Jovem Guarda foi o catalizador de um movimento que pôs a música
brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock (a esta
altura, no seu segundo momento, o da invasão britânica liderada pelos
Beatles) e deu origem a toda uma nova linguagem, musical e novos padrões
de comportamento.
Entravam em cena as guitarras elétricas (incorporadas de vez à música
brasileira mais típica pelo movimento seguinte, a Tropicália), a idéia
de uma música exclusivamente jovem, com signos jovens (mais até do que
na bossa nova) e toda uma constelação de artistas: Wanderley Cardoso,
Jerry Adriani, Eduardo Araújo, Martinha, Ed Wilson, Waldirene (A Garota
do Roberto), Leno & Lílian, Deny e Dino, Bobby Di Carlo e grupos como
Golden Boys, Renato & Seus Blue Caps, Os Incríveis, Os Vips e tantos
outros. O programa de TV acabou em 1969, mas a estética da Jovem Guarda
nunca deixou de estar presente na música brasileira feita a partir da
década de 70.
Primeiros ídolos
Os primórdios do movimento devem ser procurados na segunda metade dos
anos 50, quando o país começou a ser exposto à informação rock’n’roll,
através dos discos de Elvis Presley e Bill Haley, da Revista do Rock e
de programas como Hoje É Dia de Rock (de Jair de Taumaturgo, na Rádio
Mayrink Veiga carioca), Clube do Rock (de Carlos Imperial, na TV-Rio) e
Crush em Hi-Fi (na TV Record, de São Paulo). No fim da década, o país
ganhous seus primeiros ídolos do rock: a paulista Cely Campello (de
Estúpido Cupido, versão de Stupid Cupid, de Neil Sedaka), Carlos Gonzaga
(de Diana, versão para música de Paul Anka), Sérgio Murilo (de
Marcianita e Broto Legal), Tony Campello (irmão de Cely), Demétrius,
Albert e Meire Pavão. Eles representaram o rock em sua vertente mais
adocicada, a das baladas. O contraponto selvagem, da eletricidade, de
Elvis e Chuck Berry, ainda estava sendo gestado.
Na Tijuca, bairro do subúrbio carioca, essa era a curtição de uma turma
de rapazes que se reunia na Rua do Matoso. Em 1958, China, Arlênio,
Trindade, Tim Maia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos formaram o grupo Os
Sputniks, que acabou no mesmo ano, mas não sem antes chamar a atenção de
um sambista de idéias elétricas que andava pela área: Jorge Duílio Lima
Meneses, o Jorge Ben. Em 1960, o rock da Juventude Transviada brasileira
teria seu primeiro sucesso: Rua Augusta, de Ronnie Cord (Ronald Cordovil).
Mas era tarde: o gênero começava a perder seu impacto, acossado pela
bossa nova. No começo da década, Cely Campello deixou a música para se
casar e Roberto Carlos foi cantar bossa.
O rock, porém, resistia nos subúrbios de Rio e São Paulo, onde surgiram
grupos vocais como Golden Boys (de Alguém na Multidão) e Trio Esperança
(de A Festa do Bolinha, formado por irmãs dos Golden Boys) e
instrumentais, na onda do Twist (inspirada pelo sucesso Let’s Twist
Again, de Chubby Checker), como Renato & Seus Blue Caps (no qual Erasmo
Carlos chegou a cantar), The Jordans, The Jet Blacks e The Clevers
(futuro Os Incríveis). No entanto, Sérgio Murilo, Ronnie Cord e
Demétrius seguiram década adentro fazendo rock-balada, ao lado de
recém-chegados como George Freedman (Coisinha Estúpida) e Wanderléa.
Início do reinado
Mas, em 1963, um renovado Roberto Carlos apereceu com Splish Splash
(versão de Erasmo para música de Bobby Darin), rock que daria título ao
seu LP daquele ano. Parei na Contramão, o sucesso seguinte, abriu o
caminho para o seu grande estouro: O Calhambeque. Com isso, Roberto não
só renovou sua inscrição no clube do rock, como iniciou seu reinado
naquele cenário que mais tarde seria conhecido como Jovem Guarda.
Calhambeque seria o destaque de seu LP seguinte, É Proibido Fumar, cuja
faixa-título tornou-se outro clássico. O grande parceiro de Roberto,
Erasmo Carlos, também começava nessa época sua carreira solo, com o
sucesso Minha Fama de Mau.
Em 22 de agosto de 1965, quando o programa Jovem Guarda estreou, o
cenário do movimento estava quase que completamente montado – Wanderley
Cardoso era O Bom Rapaz, Eduardo Araújo O Bom, Jerry Adriani O
Italianíssimo, Martinha O Queijinho de Minas, Rosemary A Boneca Loura
Que Canta, Ronnie Von O Pequeno Príncipe. Outros que também chegaram:
Sérgio Reis, Antonio Marcos, Vanusa, Agnaldo Rayol, The Fevers, Ed
Wilson (irmão de Renato e Paulo César Barros, do Renato & Seus Blue
Caps), Prini Lorez, The Pop’s... Naquelas "jovens tardes de domingo", a
palavra de ordem era iê-iê-iê, adpatação do "yeah, yeah, yeah!", da
música She Loves You, dos Beatles – não por acaso, o filme do quarteto,
A Hard’s Day Night, foi exibido no Brasil com o título de Os Reis do
Iê-Iê-Iê. A maior parte das letras eram ingênuas e recatadas, e boa
parte das músicas, versões de sucessos do rock americano, britânico,
italiano e até japonês – Erasmo Carlos, Renato Barros e Rossini Pinto
eram os grandes versionistas.
Havia, porém, quem insistisse em compor – os de maior destaque foram a
dupla Roberto & Erasmo, Getúlio Côrtes (de Negro Gato, cantada por
Roberto), Leno, Carlos Imperial e o próprio Rossini. As relações entre a
jovem guarda e a bossa nova nem sempre foram cordiais. Havia quem, como
Jorge Ben, transitasse entre os dois programas:o Jovem Guarda e o Fino
da Bossa. Mas Elis, que apresentava o Fino com Jair Rodrigues, chegou a
liderar uma passeata contra as guitarras elétricas.
Em 1965, Roberto deu o nome do programa ao seu LP: Jovem Guarda veio com
os clássicos Quero Que Vá Tudo Pro Inferno e Mexericos da Candinha. Em
pouco tempo, a moda adotada pelos apresentadores tinha se espalhado pelo
país (e dá-lhe calças colantes de duas cores em formato boca-de-sino,
cintos e botinhas coloridas, minissaia com botas de cano alto), bem como
seus gestos e gírias – broto, carango, legal, coroa, cuca, barra limpa,
barra suja, lelé da cuca, mancada, pão, papo firme, maninha, pinta, pra
frente e, "É uma brasa, mora?", tudo veio da Jovem Guarda.
Explosão nas garagens
E o sucesso só fazia crescer: em 1966, o sucesso de Roberto com O
Calhambeque havia chegado a Portugal, França, Argentina, Uruguai e
México. No mesmo ano, o Jovem Guarda realizou seu I Festival de
Conjuntos, do qual participaram cerca de cinco mil. O primeiro colocado
foi o grupo paulista Loupha, com o cover para I Can’t Let Go, dos
ingleses The Hollies, e o segundo, o gaúcho The Cleans. Um sinal da
explosão no país dos grupos de garagem, que saíam se apresentando em
clubes sociais, rádios, televisões regionais, festas de igreja e
aniversários e logo estariam embarcando na viagem psicodélica dos
americanos e ingleses – caso dos paulistanos Mutantes, de Rita Lee e dos
irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista.
O ano de 1967 traria inesperadas novidades. Por sugestão da irmã Maria
Bethânia, o baiano pós-bossanovista Caetano Veloso começou a ver o
iê-iê-iê com outros olhos. Ao mesmo tempo, o amigo Gilberto Gil
converteu-se aos Beatles. Resultado: no III Festival da Música Popular
Brasileira da TV Record, Gil estaria apresentando seu Domingo no Parque
com os Mutantes e Caetano sua Alegria, Alegria com os argentinos Beat
Boys. Era a Tropicália, que mais tarde seria apresentada no
disco-manifesto Panis et Circencis. Ao mesmo tempo, a Jovem Guarda
iniciava o seu declínio. Em 1968, Roberto Carlos ganhou o Festival de
San Remo com Canzone Per Te, de Sergio Endrigo e, no ano seguinte,
estaria iniciando sua fase romântica, na qual seguiu pelas décadas de
70, 80 e 90, como um dos maiores cantores brasileiros.
Logo o programa saiu do ar e a Jovem Guarda se desmanchou. Cada um foi
para um lado. Houve quem seguisse Roberto na carreira de cantor
romântico (Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von), quem
continuasse no rock (Erasmo, Leno sem Lilian, Os Incríveis) e quem se
bandeasse para o brega (Agnaldo Rayol e Reginaldo Rossi, que liderou a
banda The Silver Jets em Recife), música sertaneja (Nalva Aguiar, Sérgio
Reis) ou mesmo rock rural (Eduardo Araújo). Os Fevers se tornaram uma
das mais ativas bandas de bailes e de estúdios e os Golden Boys gravaram
coros em muitos discos de MPB.
Nos anos 80, o Rock Brasil trouxe de volta músicas da Jovem Guarda em
regravações de Lulu Santos (O Calhambeque), Blitz (Biquíni de Bolinha
Amarelinha, de Sérgio Murilo), Léo Jaime (Gatinha Manhosa, de Erasmo) e
Patife Band (Tijolinho, de Bobby di Carlo). Era o ensaio de um revival,
que efetivamente ocorreria em 1995, na comemoração dos 30 anos do
programa. Remanescentes do movimento (Wanderléa, Erasmo Carlos, Ronnie
Von, Bobby de Carlo, Os Vips, Os Incríveis, Martinha, Leno e Lilian,
Golden Boys, entre outros) regravaram seus sucessos em uma caixa de
cinco CDs e fizeram uma série de concorridos shows conjuntos. Ao mesmo
tempo, relançamentos em CD trouxeram de volta quase todo o acervo de
gravações originais. E, nos anos 90, as bandas de rock, mais do que
nunca, regravaram o repertório da Jovem Guarda: o Barão vermelho foi de
Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo, os Engenheiros do Hawaii de Era
um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones, o Skank de É
Proibido Fumar e Paulo Ricardo de Você Não Serve Para Mim.
