Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, aos 9 anos já chamava a atenção na
rádio local imitando o cantor Bob Nelson. Aos 12 mudou-se para Niterói
com a família, e começou a fazer amizades com outros rapazes que
gostavam de música, especialmente o rock'n'roll que vinha dos Estados
Unidos. Em 1957 formou com alguns amigos, inclusive Tim Maia, o conjunto
"Os Sputniks".
No ano seguinte já era integrante do "The Snakes", junto com Erasmo
Carlos. Com esse grupo chegou a participar do programa Clube do Rock, de
Carlos Imperial, na TV Continental. Gravou alguns compactos no final da
década de 50 e em 1961 lançou o primeiro LP, "Louco por Você". A partir
daí passou a investir, com apoio da gravadora CBS, no incipiente mercado
de música jovem. Para isso juntou-se ao amigo Erasmo e passou a fazer
versões e compor músicas como "Splish Splash", "O Calhambeque", "É
Proibido Fumar" e outras que visavam ao filão juventude transviada,
criando o primeiro movimento de rock feito no Brasil. Em 1965 estreou,
ao lado de Erasmo e Wanderléa, o programa Jovem Guarda, na TV Record,
que daria nome ao movimento.
O desafio do programa era manter a elevada audiência das tardes de
domingo, até então garantida pela transmissão dos jogos de futebol e
agora ameaçada, já que as transmissões haviam sido proibidas. O programa
não só manteve a audiência, como conseguiu aumentá-la. Roberto Carlos
foi um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira. Além do
programa e dos discos, estrelou filmes, inspirados no modelo lançado
pelos Beatles nos anos 60.
O primeiro longa, "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", foi lançado em
1967, seguido por "Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa" e "Roberto
Carlos a 300km por Hora". Nos anos 70, com o esmorecimento do movimento
da Jovem Guarda, muda de estilo e torna-se um cantor e compositor
basicamente romântico. Foi a partir daí que seu público-alvo deixou de
ser o jovem e passou a ser o público adulto. Nessa linha, seus grandes
sucessos são "Detalhes", "Emoções", "Café da Manhã", "Força Estranha",
"Guerra dos Meninos", "Fera Ferida", "Caminhoneiro", "Verde e Amarelo".
Recentemente passou a dedicar-se mais ao filão religioso de sua obra,
com o sucesso da música "Nossa Senhora". A carreira de Roberto Carlos é
superlativa.
Desde 1961 conseguiu a incrível façanha de lançar um disco inédito por
ano, interrompida apenas em 1999 por causa da doença de sua então
esposa, Maria Rita, que viria a falecer. Nos últimos anos esse
lançamento acontece invariavelmente no Natal. Seus discos já venderam
milhões de cópias e bateram recordes de vendagem (em 1994 bateu a marca
de 70 milhões de discos vendidos). Fez milhares de shows em centenas de
cidades, no Brasil e no exterior.
Seu fã-clube é um dos maiores de todo o mundo. Dezenas de artistas já
fizeram regravações de suas músicas. Já lançou discos em espanhol e
inglês, em diversos países. Atualmente continua se apresentando com
freqüência e todo ano produz um especial que vai ao ar na semana do
Natal pela TV Globo, mesma época do lançamento dos seus discos anuais.
Jovem Guarda
Num sentido estrito, a expressão Jovem Guarda designou programa da TV
Record, de São Paulo SP, estreado em setembro de 1965 e findo em 1969,
comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia; mas tem sido
comumente empregada para definir gênero musical também conhecido como
iê-iê-iê, seja, a versão brasileira do rock internacional. A Jovem
Guarda foi, entretanto, cristalização de uma tendência bem anterior: a
informação do rock’n’roll norte-americano da década de 1950 já criara no
Brasil um mercado de consumidores e aficionados, permitindo que, desde
1957, os primeiros cantores e compositores brasileiros do gênero
tentassem reproduzir o ritmo com letras em português ou cantando no
original. Entre os maiores expoentes desse período estavam os irmãos
Tony e Celly Campelo, Sérgio Murilo, Ed Wilson e, em fase pouco
posterior, Ronnie Cord e os grupos The Jordans, The Jet Blacks e The
Clevers. O trio central – Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia –
entrou em cena justamente quando começava a se acentuar a queda de
popularidade dos primeiros artistas brasileiros do rock’n’roll. Em 1961,
Celly Campelo decidiu afastar-se da vida artística, enquanto as atenções
se voltavam para a bossa nova e, nos meios de comunicação, sobreviviam
poucos espaços: o programa Hoje é Dia de Rock, de Jair de Taumaturgo, na
Radio Mayrink Veiga carioca; o Clube do Rock, de Carlos Imperial, na
TV-Rio, e Crush em Hi-Fi, na TV Record, de São Paulo. Em discos, os
sucessos rareavam: Marcianita, com Sérgio Murilo, Diana, com Carlos
Gonzaga. Roberto Carlos optou, então, por algum tempo, pela bossa nova,
mas Erasmo Carlos e Wanderléia decidiram insistir, tentando divulgar um
tipo de musica que, nessa época, já tinha muito de bolero e
samba-canção, misturado ao ritmo do rock’n’roll. No Rio de Janeiro RJ,
Ed Wilson, Cleide Alves, Renato e seus Blue Caps também esperavam sua
oportunidade. Foi o repentino sucesso de um compositor e intérprete
radicado em São Paulo que abriu a brecha para o que seria a Jovem
Guarda: em 1963, Ronnie Cord conseguiu bons índices de venda e
popularidade com o rock Rua Augusta (de Hervê Cordovil), chamando a
atenção do publico e dos homens de media para as figuras de Roberto
Carlos e Erasmo Carlos, principalmente, autores de Parei na contramão.
Em seguida, É proibido fumar e Festa de arromba (da mesma dupla)
confirmaram a existência do mercado. Foi dessa música – onde os dois
celebram textualmente seus companheiros de vida artística e preferência
musical – que surgiu a idéia de um programa de televisão, concretizado
pela TV Record paulista, na época grande investidora em musica popular.
Inicialmente o programa deveria chamar-se Festa de Arromba e ocuparia
uma hora ociosa, a tarde de domingo, vaga desde a proibição de
transmissão dos jogos de futebol.
Com o nome definitivo de Jovem Guarda, o programa foi ao ar pela
primeira vez em setembro de 1965, reunindo Roberto Carlos, Erasmo Carlos
e Wanderléia, os cantores Eduardo Araújo, Sérgio Murilo, Agnaldo Rayol,
Reynaldo Rayol, Martinha, Cleide Alves, Meyre Pavão, Rosemary e os
grupos The Jordans, The Jet Blacks, Renato e seus Blue Caps, Os
Incríveis e Golden Boys. Rapidamente, a Jovem Guarda tornou-se uma das
grandes atrações da emissora, reunindo grandes platéias de adolescentes
no Teatro Record, mas foi a partir de 1966, com o grande sucesso de
Roberto Carlos e Erasmo Carlos Quero que vá tudo pro inferno, que o
programa tomou proporções nacionais e passou a ser sinônimo de movimento
ou tendência musical. Outros artistas se juntaram ao grupo inicial:
Ronnie Von, Vanusa, De Kalafe, Deny e Dino, Leno e Lilian, Antônio
Marcos, Os Vips, Os Brasões, The Pops, entre outros. Seguindo o exemplo
da Apple, promotora dos Beatles, a agência de publicidade Magaldi, Maia
& Prosperi passou a coordenar industrialmente a imagem do trio central
da Jovem Guarda, criando as marcas Calhambeque, Tremendão e Ternurinha
para uma série de produtos que ia de bonecas a calças e blusas.
Vários compositores de outras áreas começaram então a se interessar
pelos ritmos da Jovem Guarda, como Jorge Ben, que passou a freqüentar o
programa, e os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso, que, aconselhados
pela cantora Maria Bethânia, incorporaram ao seu trabalho elementos do
iê-iê-iê, como as guitarras que acompanhavam Domingo no parque e
Alegria, alegria, no III FMPB, da TV Record, em 1967.
Segundo Erasmo Carlos, foi justamente a Tropicália – movimento que Gil e
Caetano fundaram nesse período – uma das principais causas do
esvaziamento da Jovem Guarda. "A Tropicália – diz ele – era uma Jovem
Guarda com consciência das coisas, e nos deixou num branco total". Mas,
antes de se extinguir totalmente no inicio de 1969, diluída pela
superexposição ao consumo, pelo cansaço e esgotamento criativo de seus
participantes e pelos prejuízos que levaram Magaldi, Maia & Prosperi a
desistir dos esquemas comerciais, a Jovem Guarda deixou sua
contribuição, alimentando vários programas semelhantes na televisão,
como a Festa do Bolinha, de Jair de Taumaturgo, na TV-Rio carioca, e
publicações especializadas, como a revista Reis do iê-iê-iê, sucessora
do que a Revista do rock tinha sido para o rock’n’roll brasileiro na
década de 1950. Além de projetar nacionalmente alguns de seus ídolos, o
movimento foi em grande parte responsável pela posterior assimilação de
instrumentos eletrônicos na musica brasileira de todas as tendências e
pela fusão de informações estrangeiras e dados nacionais que
caracterizou a produção musical na década de 1970.
No inicio da década seguinte, Léo Jaime, os Titãs, a Blitz e outros
interpretes e grupos roqueiros retomaram a musicalidade simples e direta
da Jovem Guarda, constituindo a Nova Jovem Guarda. Em 1995,
remanescentes da Jovem Guarda se reuniram para comemorar os 30 anos do
movimento, gravando uma caixa de cinco CDs para a Polygram, onde recriam
os antigos sucessos, e fazendo uma serie de shows com êxito nacional:
Wanderléia, Erasmo Carlos, Ronnie Von, Bobby de Carlo, Os Vips, Os
Incríveis, Martinha, Leno e Lilian, Golden Boys e outros. Ainda em 1995,
a Paradoxx lançou dois CDs com vários artistas da Jovem Guarda, mas
gravados ao vivo, nos shows comemorativos; e, no ano seguinte, a revista
Caras colocou no mercado uma coleção de seis CDs e fascículos, contando
a historia da Jovem Guarda e com remasterizações das gravações
originais.
No
outono de 1941, no dia 19 de abril, nascia em
Cachoeiro do Itapemirim, pequena cidade no
interior do Espírito Santo, o quarto filho do
Sr. Robertino Braga e Dona Laura Moreira
Braga. Naquele dia, Norma, Lauro e Carlos
Alberto ganhavam mais um irmão, o caçula
Roberto Carlos. ‘Seu’ Robertino era o
relojoeiro da pacata cidade e Dona Laura,
costureira
.
A família Braga morava no bairro do Recanto,
numa casa modesta no alto de uma ladeira
.
"Zunga" foi o apelido que Roberto recebeu
ainda na infância. Era uma criança normal e
alegre, que adorava descer de bicicleta a
ladeira perto de sua casa, empinar pipa e
jogar futebol. Acompanhado dos amigos,
costumava banhar-se nas águas do Rio
Itapemirim, onde, com o pai e os irmãos mais
velhos, aprendeu a pescar. Com seis anos,
Roberto foi matriculado no colégio de freiras
Jesus Cristo Rei. Tempos depois, na Jovem
Guarda, sua segunda professora do Cristo Rei,
Irmã Fausta, lhe daria o medalhão que até hoje
não tira do pescoço.
Roberto Carlos era uma criança calma e
sonhadora, que passava horas ouvindo rádio,
demonstrando muito interesse em música,
aprendendo violão e piano -- a princípio com
sua mãe e, depois, no Conservatório Musical de
Cachoeiro
.
Roberto Carlos gostava de cinema e era
freqüentador assíduo das matinês de domingo,
divertia-se com as comédias e filmes de
aventura e emocionava-se com os romances
.
Sua verdadeira paixão, no entanto, era a
música. Seu primeiro ídolo era Bob Nelson, um
artista brasileiro que vestia-se de caubói,
cantava músicas "country" em português.
Roberto gostava de cantar suas músicas.
Roberto
tinha apenas nove anos quando, sua mãe, dona
Laura, lhe sugeriu cantar na Rádio Cachoeiro
de Itapemirim, prefixo ZYL-9, no programa
matinal infantil de Jair Teixeira,
apresentando naquele dia por Marques da Silva.
Na primeira vez em que se apresentou, cantou o
bolero "Amor y más amor", sucesso na voz de
Fernando Borel. "Nunca fiquei tão nervoso na
minha vida. As pernas tremiam. Eu pensava que
isso fosse só uma força de expressão, porque
até então não tinha sentido isso. Que coisa
impressionante!" relembraria, anos depois.
Roberto continuou comparecendo ao auditório da
rádio todos os domingos.
Dona Laura arrumava o filho com roupas
feitas por ela mesma. Roberto Carlos cantava e
impressionava a todos com sua afinação e
talento natural para a música. Assim, ainda na
infância, a paixão pela música já estava em
seu coração. Seus pais gostariam que ele fosse
médico, mas em nenhum momento deixaram de
incentivar a vocação do filho.
Roberto havia escolhido a música.
Nesse
período de vida, o início da adolescência,
qualquer menino do interior sonha em voar
alto, conhecer o mundo, tentar a vida na
cidade grande. Em janeiro de 1955, Roberto
Carlos foi passar férias em Niterói na casa de
sua tia Jovina, a Dindinha, com a intenção de
se apresentar em alguns programas de rádio que
davam oportunidade para novos cantores.
Durante esta época, decidiu, com a aprovação
de seus pais, continuar morando na rua São
José, no bairro Fonseca, em Niterói, sendo
matriculado no Colégio Brasil. Um ano depois,
sua família se mudou para o Rio de Janeiro,
estabelecendo-se no bairro de Lins de
Vasconcellos.
Aos 15 anos, Roberto já tinha alguma noção
de música por causa das aulas de piano e
teoria musical que recebera em Cachoeiro de
Itapemirim. Nos programas que freqüentava,
gostava de cantar o repertório de Tito Madi e
Dolores Duran, como todos os grandes sucessos
da época.
Nesta mesma época, um verdadeiro sucesso
surgiu nas lojas de discos de todo o mundo: o
compacto contendo "Rock around the Clock" com
Bill Halley e Seus Cometas. O ritmo era
alucinante. Os instrumentos, tocados bem
altos. O cantor parecia incitar a platéia à
dança e à celebração. Logo em seguida, veio o
sucesso de Elvis Presley, Little Richard, Gene
Vincent e Chuck Berry que eram adorados pelos
adolescentes.
Começava a era do rock.
Os jovens brasileiros, é claro, logo
aderiram ao movimento. Celly Campello estoura
em todas as rádios com "Estúpido Cupido".
Surgem programas de rádio e TV voltados
exclusivamente para o rock. "Os Brotos
Comandam" é apresentado em São Paulo, na Rádio
Bandeirantes, por Sérgio Galvão e no Rio de
Janeiro, na Rádio Guanabara, por Carlos
Imperial. Ainda na Rádio Bandeirantes
paulistana, acontecia aos domingos o "Festival
de Brotos", produzido por Enzo de Almeida
Passos. Os domingos cariocas eram animados
pelo "Alô Brotos", da Rádio Mayrink Veiga,
apresentado pelo mesmo Jair de Taumaturgo que
comandava, na TV Rio, o programa "Hoje é dia
de Rock".
Nas escolas, os professores não sabiam como
reagir à nova onda. Os jovens, finalmente,
tinham a sua própria música. Na Escola Ultra,
na Praça da Bandeira, durante os intervalos de
aula, Roberto Carlos costumava ir à sala de
música junto com amigos para tocar e cantar.
Otávio III, na época assistente de Chiara de
Garcia, produtor do programa Teletour da TV
Tupi do Rio de Janeiro, gostou do que ouviu.
Os dois então deram a Roberto a oportunidade
de se apresentar na TV cantando "Tutti Frutti"
.
Em 1957, levado por um colega da mesma
escola, Arlênio Lívio, Roberto Carlos passou a
freqüentar a turma que se encontrava na Rua do
Matoso, na Tijuca, Zona Norte do Rio de
Janeiro. Lá conheceu Sebastião (Tim) Maia,
Edson Trindade, José Roberto "China" e
Wellington. E com Arlênio, Trindade e
Wellington foi formado o conjunto vocal The
Sputnicks. Roberto precisava da letra da
música "Hound Dog" e alguém lembrou que um
outro componente da turma colecionava tudo
sobre Elvis Presley: Erasmo (Carlos) Esteves
.
Nascido no dia 5 de Junho de 1941, carioca
da Tijuca, desde cedo, Erasmo trabalhou duro.
Foi office-boy, porteiro, recepcionista e
vendedor, mas não se fixava nos empregos por
muito tempo. A mãe de Erasmo, humilde, nunca
pôde lhe dar grande conforto.
Ele e Roberto tornaram-se amigos. Erasmo
tinha um violão, presente de seu avô, e muitas
letras escritas num caderno. Ambos tinham uma
grande afinidade musical. Diferenças e
semelhanças os aproximavam
.
Se Erasmo não se adaptava à autoridade, queria
gritar e explodir, a rebeldia levava Roberto a
querer "pensar livremente", cantar de olhos
fechados. Erasmo vinha do subúrbio carioca, do
proletariado urbano e da luta diária pela
sobrevivência. Roberto carregava o
provincianismo e os sonhos de um jovem do
interior.
Nesta mesma época, Edson Trindade sugeriu a
Erasmo que, junto com Arlênio e China,
formassem outro conjunto vocal: The Snakes.
Roberto Carlos passou a se apresentar em
clubes e festas e também com o grupo. Carlos
Imperial comandava na televisão o "Clube do
Rock", um quadro de 15 minutos dentro do
programa "Meio Dia", de Jaci Campos, na TV
Tupi, apresentando apenas artistas que tocavam
o "ritmo do momento". Roberto Carlos
apresentou-se algumas vezes neste programa
.
Imperial apresentou-o como o "Elvis
brasileiro" e Roberto cantava sucessos como
"Tutti Frutti", "Teddy Bear" e outros mais.
Roberto Carlos passou a conviver
intensamente com o rock.
Para ouvir os arquivos de áudio, no texto
acima, você
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